Metade do que corre mal com a mobília numa mudança acontece antes de sair da divisão. Um roupeiro descido inteiro por uma escada com curva, uma cama desmontada com os parafusos no bolso, uma mesa com fita colada diretamente no verniz — cada uma dessas coisas é uma decisão tomada nos primeiros dez minutos.
A desmontagem e a montagem estão incluídas no que fazemos, por isso temos interesse em que valorize isto. O que se segue é o que decidimos de facto e porquê — incluindo os casos em que a resposta certa é não mexer na peça.
Não por hábito — cada uma destas peças viaja mais segura desmontada.
Camas. Quase sem exceção. Um estrado de casal não vira numa escada de Lisboa, e é o próprio estrado que se estraga quando alguém tenta.
Roupeiros acima de cerca de 180 cm. Primeiro saem portas e prateleiras, depois a estrutura, se tiver sido feita para desmontar. As portas são a parte frágil: as dobradiças torcem com o próprio peso quando a peça é inclinada.
Mesas de jantar. Pernas fora, tampo embrulhado à parte. Um tampo transportado deitado com as pernas postas é uma alavanca à espera de um aro de porta.
Secretárias e estantes com costas em painel fino — é nas costas que está a rigidez da peça, e o painel racha se a peça torcer.
Tudo o que tenha vidro. Prateleiras e portas de vidro viajam à parte, embrulhadas, nunca dentro da peça de onde saíram.
O que preferimos não desmontar
É a secção que as outras empresas não escrevem, e conta mais do que a anterior.
Se uma peça custou menos do que vai custar mudá-la, dizemos. Um roupeiro de montar com três anos, na terceira desmontagem, muitas vezes não compensa a viagem — e ouvir isso de quem a vai carregar é mais útil do que ouvi-lo depois.
Mobiliário de montar que já foi montado e desmontado duas vezes. O aglomerado segura bem um parafuso à primeira, razoavelmente à segunda e mal à terceira — o furo alarga de cada vez. Dizemos antes de começar se acharmos que a peça não sobrevive a mais uma volta, e depois a decisão de a mudar ou não é sua.
Madeira maciça com juntas coladas, não aparafusadas. Se nunca foi pensada para desmontar, desmontá-la destrói-a. Cómodas e arcas antigas caem quase sempre nesta categoria.
Tudo o que tenha mecanismo escondido — sofás-cama, reclináveis, camas com arrumação elevatória. Desmontam-se numa ordem específica e montam-se noutra, e enganar-se sai caro. Sempre que possível, viajam montados.
Móveis de cozinha e roupeiros embutidos. Normalmente fazem parte do imóvel e não das suas coisas, e removê-los é trabalho de carpinteiro, não de equipa de mudanças.
Onde ficam os parafusos
A maneira mais comum de uma montagem se transformar numa tarde inteira é ferragem desaparecida. A nossa regra é simples e não varia.
Toda a ferragem de uma peça vai para um saco próprio. O saco é identificado com a peça. E depois é colado àquela peça, não junto numa caixa com os parafusos de toda a gente. Um saco colado por baixo do tampo chega com o tampo.
Antes de sair fosse o que fosse, fotografamos a peça montada e fotografamos as costas. Três horas depois ninguém se lembra para que lado ia o painel de trás, e a fotografia resolve isso em dois segundos.
A folha de instruções vai no saco com a ferragem. Andar à procura online de um modelo descontinuado, já do outro lado, são vinte minutos que ninguém contou.
Proteger as peças depois de desmontadas
Uma peça desmontada é mais vulnerável do que montada, não menos. Os painéis ficam planos, finos e fáceis de lascar num canto, e não há nada a mantê-los ao esquadro.
Os painéis ficam de pé sobre o lado comprido, e nunca diretamente no chão da carrinha. Uma tira de manta por baixo evita que a aresta inferior se desfie no piso canelado.
Cada painel leva manta, e os painéis viajam face contra face, para as duas superfícies acabadas se protegerem uma à outra em vez de roçarem em cartão.
Os cantos levam proteção separada — é nos cantos que acontece o dano, quase nunca no meio do painel.
O filme vai por cima da manta para a segurar, nunca sobre o painel.
Vidros e espelhos são embrulhados em manta e transportados na vertical, e marcados para ninguém encostar nada a eles.
A regra que não abrimos exceção, e a razão desta secção existir: a fita nunca toca numa superfície envernizada, folheada ou pintada. Arranca o acabamento quando sai, e num dia quente consegue fazê-lo em poucas horas. Se vir alguém a colar filme diretamente na sua mobília, é o momento de dizer qualquer coisa — a nós tanto como a quem quer que seja.
Voltar a montar do outro lado
A montagem faz parte do serviço e acontece no mesmo dia. O que precisa de si é uma decisão sobre onde fica cada coisa, tomada antes de chegarmos e não com um estrado de cama nas mãos.
A ordem é propositada: primeiro as camas, porque é nelas que alguém tem de dormir esta noite; depois os roupeiros, para a roupa poder sair das caixas; e só então o resto. Uma mudança que se atrasa acaba na mesma com a cama feita.
Os parafusos voltam a entrar à mão no fim, não apertados a fundo com berbequim. Apertar demasiado uma fixação em aglomerado é como uma peça que sobreviveu à mudança cede um mês depois.
O último quarto de volta é à mão. Se o parafuso continua a rodar, a solução é um palito de madeira dentro do furo, não um parafuso maior.
Em resumo
Camas, roupeiros altos, mesas de jantar e tudo com vidro desmontam-se. Madeira maciça colada e mecanismos escondidos, normalmente não.
Mobiliário de montar na terceira desmontagem pode não sobreviver — dizemos antes de começar.
A ferragem vai num saco identificado colado à peça de onde saiu, nunca numa caixa comum.
Fotografar a peça montada, e as costas, antes de tirar seja o que for.
Os painéis viajam face contra face sob mantas, com os cantos protegidos.
A fita nunca toca em verniz, folheado ou pintura. Primeiro a manta, o filme por cima.
Mostre-nos as peças numa videochamada de dez minutos. Dizemos o que se desmonta, o que não se deve e o que não passa na sua porta — antes de reservar, não no dia.
Está, para mobiliário corrente — camas, roupeiros, mesas, estantes. E a montagem do outro lado também, no mesmo dia.
O meu roupeiro do IKEA aguenta ser desmontado outra vez?
Às vezes. O aglomerado segura bem um parafuso à primeira e mal à terceira, porque o furo alarga de cada vez. Olhamos para a peça e dizemos com honestidade antes de começar — ocasionalmente a resposta é que não compensa mudá-la.
E se perderem um parafuso?
Não deve acontecer, porque a ferragem vai ensacada e colada à peça e não recolhida num sítio comum. Se mesmo assim faltar alguma coisa, substituir ferragem corrente é problema nosso, não seu.
Podem desmontar uma cozinha ou um roupeiro embutido?
Não. Normalmente fazem parte do imóvel e não das suas coisas, e removê-los é carpintaria e não mudanças. Dizemos na vistoria se alguma peça cair nesta categoria.
Desmontam sofás-cama?
Habitualmente não. Os mecanismos desmontam-se numa ordem e montam-se noutra, e o risco não compensa. Quando o sofá não passa montado, vemos primeiro os acessos e falamos consigo antes de mexer em alguma coisa.
E se uma peça não passar na porta nem desmontada?
Descobrimos isso na vídeo-visita, não no dia. Normalmente resolve-se tirando a folha da porta. Quando mesmo não passa, fica a saber com tempo para decidir se prefere vendê-la em vez de a mudar.