A Graça é alta, e tudo o que interessa numa mudança aqui decorre disso. As vistas são a razão pela qual se quer morar cá; o declive é a razão pela qual a mesma casa demora mais a mudar do que demoraria em Alvalade. Há outra coisa que convém saber antes de comparar orçamentos: os prédios são muito variados. Duas moradas a quatro ruas de distância podem ser trabalhos completamente diferentes.
As ruas aqui são mais largas do que em Alfama, e isso muda o que é possível. Normalmente a carrinha chega à porta em vez de ficar à entrada do bairro, o que elimina a parte mais longa e mais cara de uma mudança na cidade antiga. O que não elimina é a inclinação. Deixar uma carrinha carregada numa rua íngreme exige algum cuidado com o sítio exato onde para, e um percurso a subir custa tempo mesmo quando é curto. Uma particularidade local que vale a pena saber: vários dos parques aqui à volta são exclusivos a residentes e comerciantes, por isso uma carrinha de mudanças não os pode usar por muito perto que fiquem. Na prática trabalhamos a partir da rua — mais uma razão para fixar a data com antecedência suficiente para tratar de um lugar reservado.
Há prédios na Graça com elevador. Muitos não têm, e alguns têm um tão pequeno que leva uma pessoa e duas caixas mas nada que se pareça com mobília. Esta é a maior variável de um orçamento na Graça, e é aquilo sobre o qual mais compensa ser preciso quando fala connosco.
Onde não há elevador, a compensação é que as ruas são largas o suficiente para um monta-cargas exterior. Não é gratuito nem é sempre necessário, mas para um último andar com um sofá pesado sai muitas vezes mais barato do que três pessoas e uma tarde inteira. Dizemos qual das duas soluções usaríamos, e porquê, antes de reservar.
A carrinha fica com a traseira virada para o lado descendente sempre que a rua permite — carregar contra a inclinação é mais lento e mais pesado do que carregar a favor dela. Pormenor pequeno, bem visível ao fim de quatro horas.
À volta dos miradouros o trânsito é imprevisível e feito sobretudo por quem não é daqui. As carrinhas de turismo param onde não devem e os autocarros manobram em sítios que surpreendem toda a gente. Planeamos a chegada para o início da manhã por essa razão tanto como por qualquer outra.
Se a mudança é a descer, para a Mouraria ou para a zona do rio, o trabalho é genuinamente mais rápido. Descer é mais rápido do que subir, e num percurso desses a diferença aparece no orçamento e não na nossa margem.
Tempo, e nada mais misterioso do que isso. Uma mudança que demoraria cinco horas em terreno plano pode demorar seis aqui — e a sexta hora é exatamente aquela que pagaria num contrato à hora. No nosso, já está dentro do valor, porque olhámos para o declive em vídeo antes de orçamentar.
A consequência útil: um preço fixo vale mais na Graça do que em quase toda a Lisboa, precisamente porque é na subida que as estimativas à hora costumam falhar. É um argumento a nosso favor, pese-o com isso em mente — mas o mecanismo é real e pode confirmá-lo em qualquer orçamento à hora que peça.